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Larissa Rodrigues – A figura de São Paulo Apóstolo apresenta-se como um modelo de quem sabe dialogar com as realidades de seu tempo, sem perder a essência da fé. O “Apóstolo das Nações” demonstra que ser cristão exige uma postura de saída e um profundo diálogo com a vida. Para a Família de Schoenstatt no Brasil, essa trajetória ressoa no lema “Em diálogo com a vida, herói hoje!”, que convida cada pessoa a buscar a santidade, em meio aos desafios modernos.
O encontro que transforma a existência
A vida de Paulo não se divide entre antes e após uma data, mas entre o antes e o após um encontro pessoal com Jesus Cristo. O Papa Bento XVI destaca que a fé do Apóstolo não é uma teoria ou uma opinião sobre Deus, mas o impacto do amor de Deus sobre o seu coração. Segundo o Pontífice, “a sua fé é a experiência do ser amado por Jesus de modo muito pessoal; é a consciência do fato que Cristo enfrentou a morte não por qualquer coisa anônima, mas por amor a ele” [1]. Esse impulso missionário é o que o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, define como o caminho para a santidade da vida diária: a capacidade de encontrar Deus em cada acontecimento e pessoa.
Liberdade conquistada pela entrega total
O heroísmo paulino manifesta-se com força na total entrega a Deus por meio de uma vontade livre. Para Paulo, a liberdade não é fazer o que se quer, mas a capacidade de se doar por um ideal maior, tornando-se “escravo de Cristo”, para ser verdadeiramente livre. No Santuário de Schoenstatt, essa entrega concretiza-se na Aliança de Amor, na qual cada um se torna instrumento nas mãos da Mãe de Deus. O Pe. José Kentenich é para nós o exemplo desse caminho; em sua própria vida, ele demonstra que o herói de hoje coloca-se à disposição da missão na confiança de que Deus é Pai e conduz a história. O testemunho do Fundador confirma que o “viver é Cristo”, frase do Apóstolo que resume o pensamento do homem novo: alguém que vive, ama e sofre em Cristo. Como recorda Bento XVI, “quem ama Cristo como Paulo o amou, pode deveras fazer o que deseja, porque o seu amor está junto com a vontade de Cristo” [2].
Uma Igreja que dialoga com o mundo
Dialogar com a vida exige coragem para enfrentar o novo, sem medo de perder a própria identidade. São Paulo é o grande arquiteto de uma Igreja que fala a língua de todos os povos. Para o Papa, a maturidade cristã consiste em “agir segundo a verdade na caridade” [3], pois “a verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível quando olhamos para Deus” [4]. Em Schoenstatt, essa missão traduz-se na busca por uma “nova comunidade” que une fé e vida de forma orgânica.
O testemunho do martírio diário
O encerramento da missão de Paulo, marcado pelo martírio, não é um fim, mas a coroação de uma vida gasta pelo Reino. O Papa Bento XVI recorda que a chamada ao anúncio é, intrinsecamente, uma chamada ao sofrimento na comunhão com Cristo, pois “onde não existe nada pelo qual vale a pena sofrer, até a própria vida perde valor” [5]. No cotidiano da Família de Schoenstatt, esse heroísmo se traduz nas contribuições ao Capital de Graças, em que os dons imperfeitos de cada um são oferecidos à Mãe e Rainha. Esses esforços de autoeducação, quando unidos ao sacrifício de Cristo, movem Maria a derramar do Santuário as graças da redenção para os que mais necessitam. Ser herói hoje significa transformar cada pequena ação em uma força de salvação para a Igreja.
Fontes:
[1], [2] e [5] Homilia de Abertura do Ano Paulino, Papa Bento XVI (28/06/2008). Disponível em: vatican.va
[3] e [4] Homilia de Encerramento do Ano Paulino, Papa Bento XVI (28/06/2009). Disponível em: vatican.va
Livro: Santidade de Todos os Dias, Pe. José Kentenich.
Epístolas aos Romanos e aos Filipenses, Bíblia Sagrada.




