
(Foto: Gabriel Abrantes)
Pe. Gabriel Oberle Caminhar de Santuário a Santuário, levar intenções e pessoas no coração e sustentar cada passo na oração é o espírito que motiva doze integrantes da Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas) do Regional Coração Tabor a participarem do Caminho da Aliança.
A peregrinação conta com a presença do Assessor Regional, Pe. Gabriel Oberle, e do Pe. Gustavo Hanna, como apoio, além dos seminaristas Davi Vilarinho e Jerosh Wilson e de Ronaldo Cominato, do Instituto de Famílias de Schoenstatt. O grupo é pequeno em número, mas a experiência faz grande diferença para cada participante ao longo dos 110 quilômetros.
Primeiro dia, oração e intenções
Na noite de 20 de janeiro, data em que a Família de Schoenstatt recorda o Segundo Marco Histórico, o grupo se reúne no Santuário de Schoenstatt, Tabor da Confiança Vitoriosa no Pai, na Vila Mariana, São Paulo/SP. Ali celebra a Santa Missa e se prepara para o primeiro dia de caminhada, levando a imagem da Mãe e Rainha, pelas ruas da maior cidade do país. Durante o percurso, muitas pessoas se persignam, pedem para tocar a imagem de Maria e fazem uma oração. Entre um leve chuvisco, característico da cidade, o grupo segue até o Santuário Sião, no Jaraguá, São Paulo/SP.
Uma situação triste acompanha o início da peregrinação. O pai de Lucas B. Diniz, um dos participantes, falece na manhã do dia 20. Por isso, Lucas não está com o grupo desde o começo, mas é levado por todos, na oração. Próximo ao Jaraguá, os peregrinos passam pelo local onde Matheus Moreira, antigo integrante da Jumas, faleceu em um acidente, meses antes, e ali rezam por ele e sua família. Na parte da tarde, alguns participantes acompanham Lucas no velório de seu pai, Ricardo Diniz da Silva. O dia fica marcado pela oração por pessoas que vivem momentos de tristeza.
De Sião a Caieiras
No segundo dia, a peregrinação segue do Santuário Sião ao Santuário de Schoenstatt de Caieiras/SP, Tabor da Rainha Indivisa Christi – Fidelidade por Fidelidade. O grupo se aloja no Colégio Senemby e é acolhido pela Família de Schoenstatt local e pelas Senhoras de Schoenstatt.
Nesse mesmo dia, Lucas se une ao grupo e traz nova motivação a todos. Ele partilha: “foi um momento muito especial e desafiador, ao mesmo tempo. A caminhada da Aliança de 110 km, que começou na Vila Mariana, mas que infelizmente tive que fazer de Caieiras até Atibaia, por conta do enterro do meu pai, foi uma forma de homenageá-lo e distrair a mente.”
Caminho até Mairiporã
No dia 23 de janeiro, o grupo segue de Caieiras até Mairiporã/SP. A chegada acontece no Santuário Paroquial da Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro. Ali vivem o último momento de descanso, antes da etapa final.
André Lopes, da Jumas Campinas/SP, reconhece: “no começo, achei que seria apenas mais um evento normal do Jumas, mas ao passar dos dias, fui percebendo que o cansaço e as dores eram deixadas de lado, por conta da vinculação, da fé e da energia que nos ligava à Mãe.”
Organização e vivência do grupo
Mateus S. Chaves, chefe de marcha, responsável por conduzir e motivar os peregrinos ao longo de todo o percurso, partilha: “Confesso que, no início, estava um pouco nervoso, por ser a primeira vez que exerço a função de chefe de marcha. Porém, ao longo do caminho, fui percebendo que não íamos sozinhos. Apesar das dificuldades, do cansaço e dos desafios, próprios da caminhada, a entrega, a fé e a união do grupo nos sustentaram, permitindo que tudo acontecesse como precisava acontecer”. Para Matheus cada passo, de Santuário a Santuário, tornou-se uma experiência única de oração, confiança, superação e alegria, “deixando marcas na vida de cada um de nós e fortalecendo ainda mais nossa vivência da Aliança de Amor” conclui.
Último dia, esforço e gratidão
No dia 24 de janeiro, começa o último e mais intenso dia da peregrinação. O grupo acorda mais cedo e segue pelas subidas da região de Atibaia/SP. Entre incentivos e palavras de apoio, enfrenta cerca de dez horas de caminhada, entre sol e chuva.
A chegada acontece no Santuário de Schoenstatt, Tabor da Permanente Presença do Pai, em Atibaia, onde celebram a Santa Missa de encerramento. É um momento de agradecimento e alegria.
Os peregrinos caminham de um Santuário jubilar a outro, no contexto dos 100 anos das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Durante o percurso, encontram integrantes dos Padres de Schoenstatt, do Instituto de Famílias, das Senhoras de Schoenstatt, da Liga de Famílias, Peregrinos e das Irmãs. A experiência reforça a consciência de que a Família de Schoenstatt vive e caminha em Aliança.
Símbolos levados no caminho
Durante todo o percurso, os integrantes da Jumas levam, além da imagem da Mãe Peregrina, uma foto do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, e um pequeno pacote de pano, com um dedal e um relógio de bolso. Os objetos recordam o esforço do Fundador para celebrar a Santa Missa, durante o tempo de prisão.
A expressão concreta das contribuições ao Capital de Graças da peregrinação é uma camisa com o número de prisioneiro de Kentenich. Nela, os peregrinos escrevem as intenções, unindo-se em oração por cada pedido levado.
Uma experiência que permanece
Alguns podem pensar que a peregrinação é apenas mais uma atividade. Para os participantes, ela se revela muito mais do que um evento. Apoios, conversas, sorrisos e brincadeiras ajudam cada um a superar o cansaço e também a reconhecer os próprios limites.
Lucas afirma: “Foi incrível se conectar com a Juventude Masculina de Schoenstatt e criar memórias com pessoas que conheci e outras que já conhecia”. Ele conta ainda que “as brincadeiras e as paisagens ajudaram a seguir em frente”, mesmo nos momentos mais exigentes do percurso. Sobre os trechos mais difíceis, recorda que “as subidas foram difíceis, mas a sensação de superação e a companhia tornaram tudo mais leve”. Ao final, resume a experiência com convicção: “faria de novo, com certeza”.




