
(Foto: Rozangela Maria de Oliveira Araruna, com autorização dos respectivos pacientes)
Juliana Dorigo – Há enfermidades que limitam o corpo e outras que tentam aprisionar o coração. Essa é a realidade de muitos irmãos e irmãs afastados do convívio comunitário por suas fragilidades, carregam consigo a saudade da vida partilhada, o desejo de estar presente e a luta diária contra o desânimo. Nesses lares, muitas vezes marcados por dores silenciosas, a visita da Mãe Peregrina torna-se sinal concreto de que ninguém caminha sozinho. Ela é a luz da esperança!
Quando os missionários aceitam a missão de estar na Campanha da Mãe Peregrina dos Enfermos, proporcionam não apenas uma visita, mas um momento de escuta, partilha e comunhão. A Mãe que leva o Menino Jesus em seus braços e bate de porta em porta, vencendo a distância e se fazendo presença viva. Um verdadeiro encontro com Cristo.
João Pozzobon e o cuidado com os enfermos
Ao longo de sua missão com a Mãe Três Vezes Admirável, o Venerável João Luiz Pozzobon dedicou atenção especial aos enfermos. Como diácono, partia para levar a Eucaristia aos doentes levando consigo um ramo de rosas, um gesto simples, mas transformador. Ele percorria caminhos difíceis, visitava casas distantes e mantinha a disposição de quem caminha em romaria ao Santuário. Sua vida ensinava que a verdadeira evangelização nasce da presença fiel e do amor oferecido com simplicidade. Como ele mesmo dizia: “Não é preciso falar muito. Só o sacrifício que fazemos vai convertendo, pouco a pouco, as pessoas. Não se trata do que nós fazemos, mas da ação de Deus por meio de nós.”¹
A alegria de oferecer proximidade e presença
Em sua mensagem para o XXXIV Dia Mundial Do Doente, o Papa Leão XIV recorda o valor do encontro e da proximidade. Ele alerta para uma cultura marcada pela pressa, pelo descarte e pela indiferença, que muitas vezes impede de perceber as necessidades e sofrimentos ao redor. O Santo Padre convida todos a viver uma caridade concreta, fraterna e samaritana, sustentada pelo amor de Deus e pela fé em Jesus Cristo, especialmente no cuidado com os doentes, idosos e aflitos.
“O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar. Por isso, o cristão faz-se próximo daquele que sofre, seguindo o exemplo de Cristo, o verdadeiro Samaritano divino que se aproximou da humanidade ferida. Não são meros gestos de filantropia, mas sinais nos quais se pode perceber que a participação pessoal nos sofrimentos do outro implica dar-se a si mesmo, supõe ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom”²
Conectar corações ao Santuário
Cada visita da Mãe Peregrina dos Enfermos é uma ponte que conecta corações ao Santuário. É levar diante da imagem de graças, pessoas que não podem mais estar caminhando ao Santuário ou a Igreja. É uma oportunidade de redescobrir o acolhimento, renovar a confiança em Deus, seja em uma casa ou em um hospital. Mais do que uma ação pastoral, é um gesto de amor que envolve dignidade e esperança.
¹ Uriburu, Esteban J. Herói Hoje, não amanhã, Ed. Patris, Santiago 1988, p. 198
² Acesso em: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/sick/documents/20260113-messaggio-giornata-malato.html




