Jéssica F. T. do Prado – A primeira edição da Caminhada Cor Unum nasce de um desejo que não é apenas uma ideia, é um chamado que pulsa no coração da Ir. M. Eliza Maria, assessora da Juventude Feminina de Schoenstatt (Jufem) no Regional Coração Tabor. É um sonho guardado no coração: que a Juventude possa caminhar unida por uma missão e um ideal, rumo ao Santuário de Aparecida.
O que parece distante torna-se realidade à medida que os caminhos e a Providência de Deus mostram ser possível. Por meio de conversas com outras assessoras, Sra. Ana Christina e Ir. M. Verônica, e impulsionadas pela frase de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Nada é pequeno se feito com amor”, os passos começam a se unir e o sonho deixa de ser apenas um desejo para se transformar em decisão.
O sonho que ganha forma
E assim, 27 jovens da Jufem e da Liga Apostólica Feminina (LAFS), dos Regionais Missionis e Coração Tabor, dizem “sim”. Sim ao sacrifício, ao cansaço, à entrega. Unidas em um só coração, com a Mãe e o Menino Jesus, tornam-se companheiras de caminhada ao longo de três dias, entre 14 e 17 de fevereiro, saindo da cidade de Caçapava/SP em direção a Aparecida/SP. São dias que antecedem o início de um novo tempo litúrgico na Igreja, a Quaresma, marcado pela oração, penitência e renovação interior.
Entre os testemunhos, Adriana Cássia partilha: “a caminhada é um repousar no Pai, caminhar por 3 dias antes de iniciar o tempo da Quaresma, me une ainda mais a Jesus. Mesmo acordando às 3:30h da manhã e andando mais de 20 km por dia, a maior parte no sol, com bolhas nos pés, dores musculares, sinto Jesus caminhando ao meu lado todos os dias, retirando da minha mochila as cargas, deixando-a mais leve e confiante e então, a cruz se enche de capital de graças.”
O sim da Juventude
Durante o percurso, não são apenas passos sobre o asfalto ou sobre a terra. São passos de fé. Cada quilômetro percorrido carrega intenções, alegrias, agradecimentos e confiança na Mãe. Caminham não apenas com os próprios pés, mas com corações ardentes, que partilham a mesma missão e o mesmo ideal. Da sombra do Santuário de Schoenstatt de Atibaia/SP são enviadas como filhas confiantes rumo à Casa da Mãe Aparecida. A peregrinação torna-se expressão concreta do que significa “Cor Unum”.
“Cor Unum”, do latim, significa “um só coração”. Rafaelle Nogueira, uma das idealizadoras do símbolo juntamente com a Ir. M. Eliza Maria, explica o significado do símbolo que marca esta primeira edição: “o símbolo da primeira caminhada Cor Unum surge de uma ideia do coração, tantos caminhos que nossos corações conhecem e que são guiados pela Mãe de Deus, ou que algumas vezes não são. É um coração vivo, com um caminho que leva até Ela, mas também um caminho guiado por Ela. O símbolo Cor Unum é sobre a descoberta da Aliança de Amor viva com a Mãe de Deus.”
Passos de fé e unidade
Dias antes da caminhada, a preparação já começa, não apenas física, mas também espiritualmente. Cada passo dado é, antes, preparado no silêncio do coração. Uma das orações que acompanha o grupo é a estrofe 609 do Rumo ao Céu, pedindo a graça da semelhança com Maria e que Ela ensine a caminhar com fidelidade e confiança. Cada jovem carrega também um anseio particular, um propósito íntimo, algo a ser colocado e entregue nos braços da Mãe.
Bruna Silva relata: “‘O amor me impele, não o medo’, tiro essa frase do telefoninho do Pai, no segundo dia de caminhada e para mim não poderia ser outra para representar o Cor Unum. Diante dos desafios, do medo e das dores, o amor está presente todos esses dias de diversas maneiras e ele me incentiva e me impulsiona, trazendo esperança para enfim chegar na casa da Mãe Aparecida.”
Na véspera da partida, é aberto um formulário para que outros corações possam caminhar espiritualmente junto ao grupo. Preces e pedidos são confiados às mãos das peregrinas para serem apresentados ao longo do trajeto. Assim, a caminhada já não é apenas de 27 jovens, torna-se a peregrinação de muitos, unidos invisivelmente em um só coração.
Preparação do coração
Os dias começam cedo, antes mesmo do nascer do sol. Entre quilômetros percorridos, os olhos contemplam paisagens do campo, animais pastando tranquilamente e longos trechos de terra e estrada que se estendem à frente.
Mais do que os caminhos percorridos, a alegria do encontro marca cada etapa . A cada parada, o grupo é acolhido com generosidade pelos voluntários. O sorriso sincero, a água oferecida, o alimento preparado com carinho e o cuidado atento em cada detalhe tornam-se sinais concretos de apoio e amor.
Também nas estradas surgem manifestações de incentivo: buzinas, acenos e gestos de alegria ao passarem. Pequenos sinais que se transformam em ânimo renovado para continuar. Sente-se que muitas pessoas caminham espiritualmente junto ao grupo.
Sinais ao longo do caminho
Em um dos pontos de apoio, as jovens são acolhidas no Carmelo da Santa Face e Pio XII, na cidade de Tremembé/SP. Ali experimentam um silêncio profundo e cheio de presença. Têm a graça de conversar com duas Irmãs Carmelitas, em um encontro marcante. Do outro lado da grade, compreendem que aquela estrutura não é barreira, mas sinal de consagração. Na vida escondida e oferecida, sustentada pela oração, percebem a força da fidelidade silenciosa e do serviço ao Bom Deus.
Rafaelle Nogueira também testemunha: “O símbolo faz muito mais sentido depois da caminhada, porque os caminhos parecem longos no começo, mas quanto mais interiorizadas espiritualmente, mais leve é. É aí que vemos a basílica, e todo fardo já não é mais pesado, é somente de alegria e profunda gratidão.”
Silêncio que sustenta
Ao final da peregrinação, o grupo chega à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, levando consigo a Cruz da Unidade, cruz que vai à frente na caminhada, repleta de corações e das entregas das contribuições ao Capital de Graças. A chegada é marcada por gratidão e alegria.
Yara Hernandes partilha: “Chegar em Aparecida como destino da nossa peregrinação é muito emocionante. Ao avistar o Santuário, o coração bate mais forte. Estar diante da imagem da Mãe Aparecida e nos consagrarmos a ela reforça nossa entrega filial e nosso compromisso apostólico.”
Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, as jovens apresentam as intenções levadas ao longo do percurso e cantam a consagração, confiando à Mãe tudo o que vivem. Ao meio-dia, participam da Santa Missa no Santuário, celebrada e transmitida em rede nacional, encerrando a peregrinação com espírito de unidade e ação de graças.
Ao recordar a experiência, Giulia Maeda partilha: “Para mim, participar da primeira caminhada é uma das experiências mais desafiadoras que já realizei. O amor pela Mãe e por seu Filho é, sem dúvidas, o curativo dos meus machucados e a dipirona para as minhas dores. Oferto todos os passos a Ela como sinal de gratidão por todas as maravilhas que faz em minha vida. E ao me colocar diante da Mãe em sua Casa, percebo que TUDO vale a pena. Todas as dores somem, a emoção lacrimeja meus olhos e o maior sentimento é de gratidão. Tudo por Ela, sempre.”
A chegada à Casa da Mãe
A primeira Caminhada Cor Unum não é apenas um evento. É experiência, entrega, resposta. É a Juventude dizendo, com os pés cansados e o coração inflamado: somos um só coração, Mãe, e caminhamos contigo, certos de que é Deus quem conduz cada passo e cada rota.
“Senhor, dá que, em toda parte, eu creia que Tu me amas como a preciosa pupila dos teus olhos.” Pe. José Kentenich




