Liderança e acompanhamento pastoral: Aplicação aos sacerdotes diocesanos

Parte 4

Dr. Pe. Marcelo Cervi* – Nas reflexões anteriores, procuramos compreender alguns desafios da liderança cristã no mundo atual, a necessidade da formação integral da personalidade e a importância da paternidade espiritual para o ministério sacerdotal. Chegamos agora a uma pergunta inevitável: como tudo isso se traduz concretamente para aqueles padres diocesanos que se sentem chamados a viver sua vocação à luz do carisma de Schoenstatt?

A resposta passa pela compreensão de uma verdade fundamental: a instrumentalidade mariana. Se queremos ser instrumentos úteis nas mãos de Maria segundo o carisma de Schoenstatt, somos chamados a reencontrar continuamente o valor da nossa identidade e da nossa vocação comunitária a partir da Aliança de Amor, com a ajuda de meios pedagógicos e espirituais que ajudam a preservar nossa identidade e a fortalecer nossa missão.

Nessa perspectiva, propomos o valor da vida comunitária e, ao mesmo tempo, de uma sólida espiritualidade cultivada em diferentes formas de agremiação: Ligas (de âmbito mais local), União (de âmbito mais abrangente, com certas exigências em vista do crescimento espiritual) e Instituto (de âmbito internacional, com experiências fortes de vida comunitária e de missão a serviço da animação e da formação de Schoenstatt).

Num tempo marcado pelo individualismo e pela dispersão, somos chamados a recordar que o carisma de Schoenstatt não foi pensado para ser vivido isoladamente. No caso do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos temos não apenas uma estrutura jurídica ou uma forma de organização sacerdotal. É uma maneira concreta de viver o sacerdócio diocesano em comunidade, no espírito da Aliança de Amor, da secularidade consagrada e da missão apostólica.

Por isso, também os pequenos sacrifícios ligados à vida comunitária adquirem um valor especial. O tempo dedicado às reuniões, aos encontros, à convivência fraterna e aos compromissos assumidos não representa uma perda de tempo pastoral, mas uma condição necessária para a fecundidade do próprio apostolado. São contribuições silenciosas ao Capital de Graças, por meio das quais a Mãe de Deus continua educando seus instrumentos.

Talvez uma das tentações mais frequentes do nosso tempo seja acreditar que a eficácia pastoral depende apenas de projetos, estratégias ou iniciativas. Certamente tudo isso possui sua importância. Contudo, a história de Schoenstatt mostra que as grandes transformações sempre nasceram de personalidades profundamente vinculadas a Deus, ao Santuário e à comunidade. Antes das obras vieram os seres humanos; antes das estruturas, as convicções; antes dos resultados, a fidelidade.

Por isso, cultivamos a consciência que o futuro do nosso Instituto dependerá cada vez mais da profundidade espiritual daqueles que foram chamados a fazer parte desta comunidade. Dependerá da coragem de assumir conscientemente nosso carisma, nossa identidade e nossa missão histórica na Igreja e em Schoenstatt.

Em certo sentido, também o próprio Movimento continuará dependendo de nós, padres diocesanos, se permanece válida aquela conhecida afirmação do Pe. Kentenich de que “o Movimento descansa nos ombros dos sacerdotes diocesanos”. Evidentemente, isso não deve ser entendido como privilégio ou pretensão de poder. Trata-se de uma responsabilidade espiritual, uma missão de animação, serviço e fidelidade ao carisma recebido.

A Igreja não precisa de funcionários religiosos. Não precisa apenas de administradores eficientes ou organizadores de atividades. Precisa de sacerdotes interiores, livres, paternos e missionários. Sacerdotes capazes de gerar vínculos, despertar esperança, acompanhar pessoas e manter viva fé e a atuação do Povo de Deus. Para isso está o Instituto: a serviço da formação de padres que vivam dessa forma.

Somos instrumentos nas mãos da Mãe. Quanto mais profundamente estivermos vinculados ao Santuário, à comunidade e à missão recebida, tanto mais poderemos realizar aquilo que o Fundador esperava de seus sacerdotes no Instituto: ser uma verdadeira pars motrix, uma força animadora que, pelo testemunho da própria vida, ajuda a mover, servir e renovar Schoenstatt e a Igreja no hoje da história.

Talvez este seja, em última análise, o grande desafio e também a grande beleza da nossa vocação: deixar que a Mãe nos forme como homens de Aliança, pais espirituais e instrumentos disponíveis nas mãos de Deus. Porque somente quem aprendeu a deixar-se conduzir poderá verdadeiramente conduzir outros. E somente quem permanece unido à fonte será capaz de transmitir vida.

*Dr. Pe. Marcelo Cervi é Reitor Geral do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

Leia:
Parte 1: Liderança e acompanhamento pastoral: Liderança como serviço
Parte 2: Liderança e acompanhamento pastoral: Formação do líder
Parte 3: Acompanhamento e paternidade espiritual

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