
“Deixa dimanar de mim o teu amor neste mundo escuro. Deixa-me aquecer os corações frios. Sei, Mãe, que quem quer aquecer e iluminar deve consumir-se. Consuma-me, queima também tudo que há em mim de menos nobre e de menos bom. Meu egoísmo – assim que fique somente o sacrifício puro e santo” (Henrique Schaefer)
Karen Bueno – As mídias anunciam que uma forte massa de ar frio, avança sobre o Brasil nesta semana e causa acentuada queda da temperatura em algumas regiões. Haverá dias gelados para muitos brasileiros pela frente.
Tem gente que adora, tem gente que reclama, tem aqueles que não ligam, enfim, as reações são diversas quando a temperatura cai. Mas, uma coisa é fato, a vontade de ficar estirado sobre as cobertas aumenta e o corpo tende a procurar abrigo e repouso. Nessas horas, há também uma oportunidade para ser santo e viver a Aliança de Amor.
Ao conhecer a história de Schoenstatt, vemos que o frio excessivo, a neve e muitas adversidades se tornavam alavancas, garantindo contribuições ao Capital de Graças.
Essas são três situações distintas:
José Engling no seminário
Noites havia em que o frio era de arrepiar. O peitoril das janelas amanhecia forrado de neve e o vento sibilava lugubremente nas claraboias. Realmente, deixar a cama de um salto, com um frio daqueles, não era brincadeira. Por isso, sempre havia alguém que aproveitava os últimos instantes para uma “conferência com o travesseiro”.
Já José Engling logo cedo estava vestido. Os colegas o consideravam modelo de pontualidade.
Ao descer para lavar-se, o lavatório estava todo vidrado de gelo. Outros tremiam, sem coragem para mergulhar as mãos na água fria. Entretanto, Engling rompia o gelo com determinação e jogava os pedaços para os lados. [1]
Henrique Schaefer durante a Segunda Guerra Mundial
Carta escrita pelo jovem herói de Schoenstatt: “Estou a 7 Km de distância de uma aldeia, numa moradia particular. Apesar de ser domingo, fomos mandados tirar neve da rua. Caiu tanta, que nenhum carro podia passar. Fico para o trabalho de abrir caminho. Faz tanto frio e o vento é tão penetrante que, apesar de dois pares de luvas, as mãos ficam geladas. Mas, já vou cuidar que o Capital de Graças transborde. [2]
Irmãs de Maria Pioneiras no Brasil
O grupo pioneiro de Irmãs de Maria, que iniciou Schoenstatt no Brasil, enfrentou muitos desafios nos primeiros anos. Elas citam esse exemplo nas crônicas: “Estávamos tranquilas em nossas camas quando, de repente, foi preciso abrir o guarda-chuva, pois a chuva penetrava pelo telhado. A umidade da noite nos fez passar muito frio, porque não tínhamos cobertores suficientes. Aos poucos, fomos nos habituando às novas circunstâncias e ajustando as coisas”. [3]
Em meio ao frio, o vento se torna um lembrete para enchermos a talha e as blusas e cachecóis um estimulo para incendiar o mundo, lembrando e ajudando também aos irmãos que sofrem e pouco têm para se abrigar. “Assim como o fogo ilumina, aquece e se eleva ao alto, assim também o cristão é como um farol na escuridão do tempo, como um braseiro em meio ao frio e à desolação do presente e como um vivo ‘Sursum corda’ (corações ao alto) no meio do mundo orientado unilateralmente para as coisas terrenas” (Pe. José Kentenich).
Referências
[1] CESCA, Olivo. Heroi de Duas Espadas
[2] HENRIQUE SCHAEFER, Dirigente da Geração Ver Sacrum, 1940/1941
[3] Coração Missionário – Biografia de Ir. M. Emanuele Seyfried. Sociedade Mãe e Rainha, 1ª edição, Santa Maria/RS:2017








Muito bom
Foi excelente essa publicação e o testemunho desses jovens pois encher a Talha de CG e ao mesmo tempo nos aquecer com a presença da Mãe nos nossos corações 💕