144 representantes, 6 estados e mais de 30 cidades vivenciaram o congresso à sombra do Santuário da Permanente Presença do Pai, em Atibaia/SP
Jaqueline Montoya – Você já parou para refletir o que significa dialogar? Já pensou em como o carisma de Schoenstatt dialoga com a realidade dos tempos de hoje e ao mesmo tempo se mantém fiel à sua origem? Pois é, essas foram algumas das perguntas apresentadas a todos que participaram do Congresso de Outubro do Regional Coração Tabor, em Atibaia/SP. Reunidos à sombra do Santuário da Permanente Presença do Pai entre os dias 24 e 26 de outubro, os 144 participantes do congresso vivenciaram um final de semana diferente, marcado por partilha, vinculação e aprendizado.
Trabalho prévio: descobrir o sentido do diálogo
Antes mesmo de chegar em Atibaia/SP o congresso já havia começado. Cada participante recebeu previamente breves reflexões, para abrir o coração para o que viriam a vivenciar nos dias de encontro. O primeiro texto trouxe luz ao sentido do diálogo, outro sobre como o carisma de Schoenstatt deve dialogar com os tempos atuais e, por fim, como se dá nosso diálogo com Deus Pai, através da oração. E se os textos iniciais propunham conceitos, o congresso foi o momento propício para aplicá-los em família!
À sombra do Santuário, ser família
Uma das maiores belezas do Congresso de Outubro é a pluralidade: são diversos ramos e Institutos que se encontram para partilhar a vida de seus locais e suas realidades! Após a acolhida na manhã de sábado, veio a primeira dinâmica: divididos em grupos espalhados pelo gramado do Santuário é hora de dialogar. Mas afinal, o que isso significa?
Como aprendido pelos congressistas, o diálogo não é simplesmente uma conversa, discussão ou debate, muito menos a chance de convencer alguém de algo. O diálogo implica ouvir, prestar atenção, deixar que novas ideias possam nascer. Trata-se de permitir que o outro se revele como ele realmente é. Depois de ouvir o outro, quem escuta pode mudar de opinião ou não, isso não importa. O principal no diálogo é compreender melhor o irmão.
E foi essa a experiência que viveram: de escuta e partilha, como família. E não apenas nesta manhã. O trabalho em grupo se repetiu também na parte da tarde, onde divididos em novas equipes puderam partilhar o Café com Diálogo. Em volta da mesa, com doces e comidas típicas, nova partilha e momento familiar. Tudo isso para aplicar de forma concreta o sentido do diálogo, da vivência como Família de Schoenstatt: saber como é a vida do outro ramo, quais dificuldades eles enfrentam, como lidam com elas, quais coisas boas têm feito, como tem feito, enfim, era hora de crescer juntos.
A família Spinelli, da Liga de Famílias de Taquaritinga/SP, relata “nesse congresso tivemos a oportunidade de dialogar e partilhar, algo muito importante, já que em outros congressos não conseguimos ter esses momentos tão longos de conversa”, lembrou Márcio. Já sua esposa Elisandra completa “essa experiência nos enriqueceu. São depoimentos que nos fizeram pensar e refletir de forma diferente, olhar para situações e problemas com outros olhos. Dialogamos para encontrar soluções. Para nós está sendo maravilhoso estar aqui, um presente de Deus”.
Schoenstatt: um carisma em diálogo
E mais do que partilhar apenas entre si: Schoenstatt é um carisma que dialoga com a Igreja, com a realidade do tempo atual. Mas como isso acontece? Essa resposta foi o tema da palestra do diretor nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, Pe. Antonio Bracht.
Pe. Antonio recordou que para entender o carisma de Schoenstatt é preciso acompanhar o Pe. Kentenich “em ação”, o processo de vida da Obra desde sua pré-fundação. Falar do carisma de Schoenstatt significa colocar a Obra no contexto do tempo, entender a ação do Espírito Santo e ouvir a voz de Deus no mundo de hoje.
Como o Papa Francisco falou aos Padres de Schoenstatt em 2015, por ocasião do V Capítulo Geral da comunidade “um carisma não é uma peça de museu, que permanece intacta em uma vitrine, para ser contemplada e nada mais. A fidelidade, o manter puro o carisma, não significa de nenhum modo encerrá-lo em uma garrafa selada, como se fosse água destilada, para que não se contamine com o exterior. Não, o carisma não se conserva tendo-o guardado; tem que abri-lo e deixar que saia, para que entre em contato com a realidade, com as pessoas, com suas inquietações e seus problemas. E assim, neste encontro fecundo com a realidade, o carisma cresce, se renova e também a realidade se transforma, se transfigura pela força espiritual que esse carisma leva consigo”.
O próprio Papa cita o Pai Fundador, ao lembrar que Schoenstatt deve seguir “com a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus”. Todas essas reflexões devem orientar as ações apostólicas do regional. Pe. Antonio cita como exemplo de contexto apostólico no qual o carisma foi aplicado à vida de João Pozzobon. “Ele pode nos mostrar um diálogo a serviço do apostolado, uma santificação humanizadora. Falamos que o ser humano está perdendo sua humanidade, vemos tantos radicalismos. Não podemos guardar nosso carisma, mas colocá-lo em diálogo, mostrar essa santidade que humaniza”, recordou o assessor nacional.
Mariana Moutta, da Juventude Feminina do Rio de Janeiro/RJ, concorda “precisamos escutar a realidade do mundo, como o Pe. Kentenich sempre ensinou. Quando trazemos Schoenstatt para o mundo, conseguimos levar a Mãe de Deus aos corações, pois conseguimos levar uma resposta aos anseios do tempo atual, para cada pessoa. Precisamos ter esse diálogo aberto de escuta, compreensão, não ter medo de sair de nós mesmos. Schoenstatt tem a missão de estar em contato com o mundo, não pode se fechar em si”.
E o diálogo continua, agora com Deus!
Além de toda partilha e formação, o congresso também propicia momentos de oração e encontro pessoal com Deus. Pe. Gabriel Oberle conduziu o Diálogo com Deus, momento de adoração, seguido da Santa Missa.
Vivência “Pozzobon: o peregrino do diálogo”
E se o venerável João Luiz Pozzobon é exemplo de diálogo para Família, nada melhor do que aprender mais sobre ele, não é mesmo? E foi assim que os congressistas tiveram a oportunidade de se debruçar mais sobre a história e o exemplo daquele que iniciou a Campanha da Mãe Peregrina, que neste ano completou 75 anos. A vivência de sábado à noite foi um mergulho em sua vida.
Pozzobon foi um peregrino em diálogo com o tempo, ousado e com iniciativas apostólicas acertadas. Hoje a Família do Regional Coração Tabor é convidada a ser os novos Pozzobons, a aprender a dialogar com as diferentes realidades e desafios e, assim como ele, a entregar tudo pela missão.Encerra-se assim o primeiro dia de congresso.
O jeito Schoenstatt de dialogar
O sol nasce em Atibaia e os trabalhos continuam! No domingo foi a vez da assessora e coordenadora nacional de comunicação do Movimento Apostólico de Schoenstatt no Brasil, Ir. M. Nilza Pereira da Silva, apresentar o tema O jeito Schoenstatt de dialogar.
Será que existe um jeito próprio de dialogarmos? Entre as reflexões, a assessora recorda o que o próprio fundador afirmava sobre o estilo schoenstattiano, que deve ser marcado pela vida comunitária, mariana e apostólica. Essas características também devem ser parte do jeito Schoenstatt de dialogar.
“Temos que ter um diálogo fraterno. Não nos fecharmos em nós mesmos, mas nos capacitar a estarmos com o outro, para que possamos nos complementar e nos deixar ser complementados”, disse. “No jeito Schoenstatt de dialogar, a escuta tem papel muito importante, para entender e acolher o outro. O Pe. José Kentenich é modelo disso. Ele escutava e captava a alma de quem o buscava, por isso as pessoas lhe abriam o coração, as portas do seu interior. O outro se sentia valorizado. Não dialogamos para convencer, mas para conhecer a necessidade do outro”, reforçou Ir. M. Nilza.
E esta mensagem encontrou eco em muitos corações. “Precisamos nos preocupar com o outro, levar a mensagem de Schoenstatt de acordo com a necessidade do outro. Isso me fez refletir como transmito Schoenstatt para os demais em minha cidade, no meu grupo, no Santuário onde estou. Essa reflexão foi muito forte para mim. Schoenstatt não sou eu, é o que transmito ao meu irmão e a forma como o recebo e acolho”, afirmou Suely Luzia Crema Bayerlein, da União de Mães de Caieiras/SP.
Com as malas cheias, enviados em missão!
Depois de tantos conteúdos, chegou a hora de finalizar mais um congresso de outubro. Reunidos na Santa Missa, os congressistas foram enviados em missão: é hora de levar todos o diálogo e aprendizado para os locais e ramos, que aguardam ansiosos pelas novidades a serem partilhadas por seus dirigentes.
E se a mala veio com espaço de sobra, ela volta apertadinha: foram muitas partilhas e trocas que marcaram os corações. Regina Suze, da Campanha da Mãe Peregrina de Montes Claros/MG, relata “estar no congresso me deu um novo jeito de olhar sobre como Schoenstatt é rico e grandioso. A questão do diálogo, que permeou todo o congresso, me enriqueceu para que possa colocar em prática essa atitude no trabalho como Coordenadora Diocesana. Fico até emocionada de pensar em quantas pessoas mais poderiam estar aqui conosco, vivenciando tudo isso. Quero levar essa mensagem para todos e colocar em prática tudo que ouvimos”.
Joanes Gregoratto, da Liga de Família de Brasília/DF, encerra “Aprendi muito neste congresso, especialmente sobre diálogo como elemento fundamental. Muitas pessoas pensam diferente de nós e precisamos respeitar isso. Além disso, levo a força do resgate da família dentro da pedagogia de Schoenstatt. Os momentos que tivemos de conhecer e dialogar com outras pessoas, de prestar atenção no outro, de nos colocar na situação da pessoa, foram muito importantes. Ver a vida de João Pozzobon, como ele dialogava, isso também foi especial. Além da Liga faço parte da Campanha da Mãe Peregrina e quero levar também essa mensagem a todos eles”.
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Quero agradecer muito pela descrição tão completa de tudo que aconteceu no Congresso de Outubro.
Mesmo sem estar presente, esse relato tão amplo, vai ser partilhado ricamente em nossas reuniões.
Muito obrigada, Alzira (Liga das Mães RJj)