Ir. M. Nilza P. Silva – Neste dia, 2 de fevereiro, em 1946, aconteceu a constituição do Instituto das Senhoras de Schoenstatt, quando o Fundador, Pe. José Kentenich, nomeia Gertrud Gramlich como primeira Superiora Geral, e Elisabeth Freitag como sua Assistente. Pedimos para a Sra. Ana Christina Melquiades, contar-nos um pouco da história de sua comunidade. Ela escreve:
A história do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt nasce no coração da Obra de Schoenstatt, em meio a grandes desafios históricos e espirituais.
Em 1920, com a entrada das primeiras mulheres em Schoenstatt, é fundada a União Feminina. Poucos anos depois, em 1926, é fundado o Instituto das Irmãs de Maria, com a missão de se dedicarem de forma integral à Obra. Na década de 1930, em um contexto marcado pela ascensão do nacional-socialismo e, posteriormente, pela Segunda Guerra Mundial, um grupo de mulheres percebe a urgência de uma entrega radical a Deus, sem se retirar da realidade cotidiana, permanecendo em suas profissões no meio do mundo. Assim amadurece, entre provações e incertezas, as vocações que darão origem ao Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt.
Em 1936, surge o nome “Senhoras de Schoenstatt”, uma identidade que se consolida pouco a pouco. As perseguições ao Movimento Apostólico de Schoenstatt se intensificam, a partir de 1936, e culminam, em 1939, com a ocupação da Casa de Retiros de Schoenstatt pelo regime nazista. Em 13 de março de 1942, o Pe. Kentenich é deportado ao Campo de Concentração de Dachau. Paralelamente, é nesse período de sofrimento que se fortalece espiritualmente a fundação do nosso Instituto.
Após o retorno do Fundador de Dachau, o Instituto se consolida e, no dia 02 de fevereiro de 1946, é constituído juridicamente. Sobre a originalidade e missão da Comunidade, o Pai e Fundador diz, em 01 de fevereiro de 1946: “A nossa profissão principal é amar a Deus, glorificá-Lo. É por isso que estamos em nossa Família: para nos dedicarmos, em comunidade, a essa profissão principal. Queremos ver e buscar, juntas, o louvor e a glória de Deus. São Bernardo se perguntava: ‘Para que vieste a esta comunidade religiosa?’ Essa também pode ser uma pergunta predileta para nós. Assim, também o nosso agir exterior trará sempre este selo: para a infinita glória de Deus!”
O nome Senhora de Schoenstatt
O nome do Instituto refere-se à pessoa da Mãe de Deus, a Senhora de Schoenstatt. Ela é a companheira e colaboradora permanente de Cristo, nós nos incorporamos ao seu ideal e missão. Somos enviadas ao mundo a partir do Santuário, como mulheres que possam ser o reflexo de Nossa Senhora de Schoenstatt.
Espiritualidade do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt
Temos o Santuário como centro de nossa espiritualidade. Como Maria, queremos viver a união entre o natural e o sobrenatural, para que seja possível a experiência da presença de Deus no mundo. No meio em que estamos inseridas, seja no trabalho profissional, no trabalho apostólico com o Movimento Apostólico de Schoenstatt ou no Santuário, em nossas famílias e onde Deus permite que estejamos, procuramos viver a realidade da Aliança entre Deus e a pessoa humana.
Levamos uma vida no meio do mundo, com os estudos, trabalho, família e, ao mesmo tempo, totalmente vinculadas em Cristo, em uma intensa vida de oração e vínculo ao Santuário. Nosso maior apostolado é o Apostolado do SER. Esta é a maior contribuição que podemos dar para a igreja: testemunhar Cristo, com nossas vidas, no meio do mundo, sendo presença real de Maria e contribuindo para o resgate da imagem da mulher querida por Deus.
A nossa vida consagrada, no espírito dos Conselhos Evangélicos – obediência, pobreza e castidade – é a expressão de que pertencemos indivisamente a Cristo. Por isso, a Cruz da Unidade, símbolo da missão de Schoenstatt, é expressão de nossa vocação. Como Maria, permanecemos fiéis aos pés da Cruz de Jesus, como suas companheiras e colaboradoras, e, ao mesmo tempo ajudamos nosso Pai e Fundador a levar a cruz de sua missão.
Ao celebrar 80 anos de nossa história, torna-se ainda mais claro que a fidelidade do Instituto amadurece e se renova, cada dia, no diálogo vivido em profundidade e em todas as dimensões, de forma orgânica. O discernimento autêntico e a perseverança na vida consagrada da Senhora de Schoenstatt exigem uma atitude permanente de escuta — a Deus, ao próximo e ao mundo — para, assim, imprimir em tudo o ser mariano.
Diálogo com Deus e a vida interior
O primeiro e fundamental diálogo é com Deus, centro da nossa espiritualidade, que se realiza na oração pessoal, na vida sacramental e no vínculo vivo com o Santuário. É nesse espaço interior que aprendemos a escutar a voz de Deus, a reconhecer Seus desejos e a conformar a nossa vontade à Sua. O diálogo com Deus sustenta a entrega total, purifica as motivações e dá unidade à vida no meio do mundo, permitindo que cada ação seja expressão de amor.
Diálogo com o próximo e a vida apostólica
A nossa vocação se concretiza também no diálogo sincero e respeitoso com o próximo. Na vida fraterna e comunitária, o diálogo constrói comunhão, favorece o discernimento e educa para a corresponsabilidade. No nosso apostolado, o diálogo se torna caminho de entrega aos demais e serviço desinteressado, revelando Cristo por meio de atitudes marianas: acolhida, disponibilidade, delicadeza, magnanimidade. Assim, o “Apostolado do Ser” ganha rosto concreto nas relações humanas.
Diálogo com o mundo, discernir os sinais da Divina Providência
Viver como Senhora de Schoenstatt, no meio do mundo, implica um diálogo atento com a realidade histórica, cultural e social. Não se trata de conformar-se ao mundo, mas de discernir os sinais da Divina Providência, à luz da fé, respondendo com criatividade e coragem às necessidades do tempo atual.
Eu acredito em vocês!
“’Não são do mundo.’
Temos sido até agora do mundo? Penso que não. Nós não somos do mundo, mas, vivendo no mundo, fomos protegidas do maligno. As pessoas de hoje se caracterizam pela superficialidade religiosa e pelas seduções que brotam das criaturas. Disso fomos preservadas, por meio da nossa Família, por meio da barca da Família enquanto tal.
Enquanto a barca da Família navegar em alto-mar, podemos estar seguras de que, aquelas que estão na barca, podem empreender a viagem em alto-mar no mundo de hoje. Daí nasce a gratidão, que tem suas raízes na fidelidade à Família, uma gratidão que culmina quando nos desprendemos interiormente, cada vez mais, do mundo.
E se podemos dizer: ‘eu me glorio somente em Cristo, o Crucificado; nele estou crucificada para o mundo, e o mundo está crucificado para mim’, quão imensa e profunda intimidade com Cristo isso implica. Se posso dizer isso, então estou apenas exteriormente no mundo, mas interiormente estou em outro mundo.
…Eu acredito em vocês. Creio que a Família vive e que, com as Irmãs de Maria e os demais ramos da Família, tem uma missão muito grande”
(Pe. José Kentenich, 01 fevereiro 1946)
É neste espírito, de diálogo, alegria e gratidão, que celebramos os 80 anos da nossa fundação. Celebrar este dia é reconhecer uma história marcada pela fidelidade de Deus, pela proteção divina, em tempos difíceis, e por uma missão que continua viva e atual.
Inflamadas por uma grande ideal, neste jubileu, renovamos o nosso sim e nosso compromisso com Schoenstatt, com a Igreja e com cada uma das pessoas que Deus nos confia.




