Larissa Rodrigues – O Dia Internacional da Mulher convida a refletir sobre a dignidade e a missão feminina na sociedade e na Igreja. Para a fé cristã, esse olhar encontra em Maria um ponto de referência luminoso. O dogma da Imaculada Conceição recorda que Nossa Senhora é preservada do pecado original pela graça de Deus. Nela, a Igreja contempla não apenas um privilégio singular, mas também um horizonte para toda a humanidade.
Na Imaculada aparece aquilo para o qual o ser humano é chamado, uma vida plenamente unida a Deus. O Pe. José Kentenich, Fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, afirma que Nela contemplamos “a imagem do ser humano pleno, do cristão pleno, plenamente redimido”¹. Assim, Maria revela o que Deus deseja realizar em cada pessoa.
Maria, imagem do ser humano pleno
Na espiritualidade de Schoenstatt, Maria aparece como a imagem ideal do ser humano. Contemplar a Imaculada ajuda a compreender a vocação humana à santidade. Nela resplandece a dignidade que o ser humano alcança quando se abre à graça de Deus.
Em um mundo marcado por incertezas e por caminhos que muitas vezes se afastam de Deus, a Imaculada recorda que o coração humano conserva a saudade da Casa do Pai e o desejo de plenitude.
Ao longo da história da Família de Schoenstatt, muitas mulheres acolhem esse chamado e procuram viver sua vocação inspiradas na vida de Maria. Suas histórias mostram que a santidade não depende de acontecimentos extraordinários. Ela cresce na fidelidade cotidiana, na entrega silenciosa e no serviço aos outros.
Mulheres que vivem o ideal de Maria
A baronesa Gertraud von Bullion, primeira mulher a ingressar no Movimento Apostólico de Schoenstatt, expressa o ideal de sua vida na palavra latina Serviam, “quero servir”. Enfermeira da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, dedicou-se aos feridos e doentes nos campos de batalha. A tuberculose que contraiu nesse período marcou profundamente sua vida, mas não diminuiu sua entrega. Ela oferece seu sofrimento pelo florescimento de Schoenstatt e pela renovação religiosa do mundo. Em reflexões espirituais presentes em seus escritos, surge a imagem de que uma árvore precisa produzir muitas flores antes de dar fruto, indicando que o amor amadurece no sacrifício.
Também a jovem Bárbara Kast encontra na Aliança de Amor o caminho para viver sua missão. Em seus escritos pessoais, ainda muito jovem, expressa aquilo que entende como sua tarefa no mundo: “Minha missão no mundo é: com tua ajuda e amor, preencher-me de Deus, de Cristo… e dá-lo logo aos demais”. Sua história recorda que a santidade também floresce na juventude, nas amizades, nos estudos e nas responsabilidades de cada dia.
Entre as jovens que vivem esse ideal também se destaca Maria Regina Tokano, conhecida como Regininha. Alegre e sempre pronta a ajudar, encontra na espiritualidade de Schoenstatt um caminho para aprofundar sua relação com Deus. Em seu diário espiritual ela escreve: “Quero ser sempre pequenina… para estar sempre juntinho da Mãezinha e do Pai Celestial… Tenho o coração no Santuário e o Santuário no meu coração”. Nessas palavras aparece sua busca por viver a vontade de Deus na simplicidade da vida diária.
Outra figura central é Eugênia Mahringer. Nascida na Alemanha, entre 1925 e 1928, estudou no Seminário de Economia Doméstica no Mosteiro de Siessen, onde conheceu Schoenstatt por meio do Pe. Franz Grim. Em 1928, foi recebida na União Apostólica Feminina de Schoenstatt. Tornou-se a primeira dirigente da Juventude Feminina de Schoenstatt, assumindo com coragem e fidelidade a missão de orientar jovens, mesmo diante de grandes desafios durante o período do nacional-socialismo. Seu ideal pessoal, “Sei em quem pus minha confiança” (2 Tim 1,12), guiou toda sua vida. Eugênia dedicou-se à formação espiritual das jovens, à expansão do Movimento na Alemanha e no Chile, e à fundação do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, permanecendo fiel à vocação até seus últimos dias.
Outra mulher cuja vida expressa entrega total à missão é Ir. M. Custódia Lovércio. Nascida em Potirendaba/SP, mudou-se com a família para Londrina/PR, onde iniciou seus estudos junto às Irmãs de Maria de Schoenstatt. Foi a primeira jovem brasileira a ingressar no Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, em 1º de dezembro de 1943, escolhendo como ideal pessoal “Amando, me consumo pela glória do Pai”. Sua vida foi dedicada à educação, à formação de jovens e à divulgação do carisma do Fundador, Pe. José Kentenich. Trabalhou em diversos grupos do Movimento e iniciou o primeiro curso da União Apostólica Feminina de Schoenstatt no Brasil. Em 1975, foi enviada como missionária a Portugal, enfrentando com espírito sacrifical os desafios de um novo início e colaborando para a construção do Santuário de Gafanha de Nazaré. Mesmo diante do diagnóstico de câncer, renovou sua entrega ao Movimento, atuando depois como Mestra de Noviças e continuando silenciosamente a ofertar sua vida pelo Reino do Pai.
Mulheres em missão na Igreja e na família
Outras mulheres vivem essa entrega em missões de grande responsabilidade na Igreja e no Movimento. Ir. M. Teresinha Gobbo dedica décadas ao serviço da Família de Schoenstatt no Brasil. A ela se confia a direção do Movimento em um período marcado por desafios, inclusive durante o exílio do Fundador. Com espírito de fé, contribui para o crescimento da Obra e colabora no início da Campanha da Mãe Peregrina.
Também Ir. M. Emanuele Seyfried exerce papel importante na formação da primeira geração brasileira das Irmãs de Maria. Enviada ao Brasil na década de 1930, enfrenta dificuldades e poucos recursos, mas dedica-se com generosidade à formação espiritual de muitas jovens. Entre as figuras marcantes da história de Schoenstatt, também se encontra a Venerável Ir. M. Emilie Engel, cuja vida manifesta profunda confiança na Divina Providência. Mesmo diante de graves enfermidades, mantém uma atitude de gratidão e entrega.
A vocação feminina também aparece na vida de mães de famílias que vivem sua missão no cotidiano do lar. Lenir Bavoso é exemplo dessa santidade silenciosa. Esposa e mãe de cinco filhos, encontra na Aliança de Amor a força para viver as alegrias e dificuldades da vida familiar. Outro testemunho significativo é o de Leonor Tarifa Gavilan, Senhora de Schoenstatt, que dedica sua vida à formação da Juventude feminina e à missão do Movimento no Brasil. Mesmo quando a enfermidade se agrava, mantém serenidade e confiança em Deus.
Um chamado atual
Contemplar essas histórias no Dia Internacional da Mulher ajuda a reconhecer como a vocação feminina reflete algo da beleza que aparece em Maria. A Imaculada Conceição recorda que o ser humano é criado para a plenitude da vida em Deus. Ao mesmo tempo, a vida dessas mulheres mostra que essa plenitude se torna concreta na vida cotidiana, quando se vive com fé, amor e fidelidade.
Que a Mãe Imaculada, com quem selamos a Aliança de Amor, continue educando o coração de muitas mulheres. Em sua escola aprendemos a viver como filhas amadas do Pai e a transformar a vida em serviço generoso aos outros. Feliz dia das mulheres!
Fonte:
¹ Kentenich Reader, tomo 3 (Seguir al profeta), pgs. 15-17




