Pe. Carlos Padilla – Seguir o bom Pastor não é fácil, mas é o caminho que conduz à vida. A verdade também custa, porque pede reconhecer pecados, fraquezas e limites, e escolher o bem. A mudança não acontece de forma automática, exige decisão concreta. A pergunta feita pelos primeiros cristãos continua atual: «O que devemos fazer, irmãos?». A resposta permanece direta: «Convertei-vos… e recebereis o Espírito Santo» (cf. At 2,37-38). Mudar de vida vai além de ajustar hábitos, trata-se de uma conversão real.
O apego a costumes antigos e a influência de vozes enganosas dificultam esse passo. Mesmo assim, Cristo recorda: «Eu sou a porta: quem entrar por mim será salvo» (Jo 10,9). A vida passa por essa escolha. Nem sempre é simples reconhecer a porta certa. Muitas opções parecem boas, algumas conduzem a espaços amplos e agradáveis, outras levam ao vazio. Surge então a dúvida sobre como discernir o caminho que leva à verdadeira liberdade.
A imagem do Pastor ilumina essa busca: «O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sl 23,1). Ele guia com segurança, mesmo nos momentos difíceis. A vida cristã não elimina as incertezas, mas oferece direção. A decisão passa pela oração e pelo silêncio interior. Não se trata de fazer muitas coisas, mas de confiar. Cristo conduz com paciência, ainda que nem sempre seja escutado.
Entre vozes e escolhas
Ao longo da vida surgem muitas vozes. Algumas orientam, outras confundem. Nem todo guia conduz ao bem, há quem fale sem coerência ou use sua posição para dominar. O verdadeiro pastor não se coloca no centro. Ele serve, cuida das pessoas sem controlá-las, escuta antes de falar e indica caminhos sem impor.
Esse modelo também interpela quem acompanha outros. Existe o risco de agir com dureza, de exigir sem compreender ou de ferir sem perceber. Por isso, a vigilância interior é necessária. Antes de conduzir, é preciso aprender a seguir. A experiência de ser ovelha vem antes de qualquer responsabilidade.
Ninguém deixa de aprender e a sensação de autossuficiência afasta do Evangelho. A vida é caminho, nem sempre há respostas claras. Em muitos momentos, resta apenas confiar e continuar. Cristo descreve o modo de agir do bom pastor: «As ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz» (Jo 10,4).
Fidelidade no caminho do Pastor
A credibilidade nasce da verdade vivida e não da perfeição. Quem acompanha outros não precisa ter todas as respostas, mas precisa ser autêntico. Mesmo com limites e falhas, permanece a certeza de que Deus não abandona: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10).
Essa promessa não elimina dificuldades, mas dá sentido ao caminho. O seguimento de Cristo não exige perfeição, mas fidelidade. Cada gesto de bem tem valor: «Se, fazendo o bem, suportais o sofrimento, isso é agradável a Deus» (1Pd 2,20). O amor verdadeiro inclui renúncia, nem sempre reconhecida, mas essencial no crescimento espiritual.
O próprio Cristo mostra o caminho: «Ele não cometeu pecado… carregou nossos pecados» (1Pd 2,22.24). Sua resposta diante da injustiça não foi a violência, mas a entrega. A cruz revela um modo diferente de viver, baseado na confiança e no amor. Seguir o bom Pastor é aceitar esse caminho, com quedas e recomeços, renovando a cada dia a decisão de escutar sua voz e permanecer na vida que Ele oferece.




