
Larissa Rodrigues – Neste ano em que o Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt celebra 80 anos de fundação, a Sra. Raquel Padilla, membro do Instituto, recorda como começa a presença do Instituto no Brasil e quais passos marcam essa história:
O Instituto nasce por iniciativa do Pe. José Kentenich em 2 de fevereiro de 1946, e recebe a ereção canônica em 31 de maio de 1972, concedida pelo Papa Paulo VI. Ele integra os seis Institutos Seculares da Obra de Schoenstatt e partilha a mesma origem, missão e espiritualidade.
A chegada ao Brasil se liga diretamente ao empenho do Pe. Celestino Trevisan, Padre de Schoenstatt, que cultiva um forte vínculo com a missão de Schoenstatt e deseja ver toda a Obra presente no país. O bispo de Pelotas/RS, Dom Antônio Zattera, pede sua ajuda para trazer as Senhoras de Schoenstatt ao Brasil, e esse pedido encontra eco em seu coração missionário. O próprio Pe. Celestino recorda um fato marcante ao afirmar que o Pe. Bernardino Trevisan traz de Roma e de Schoenstatt uma imagem da Mãe e Rainha, doada pela Sra. Gertrud Grämlich, primeira Superiora Geral do Instituto, com a missão de preparar o caminho do Instituto no Brasil, e recorda suas palavras de que “era para a Mãe e Rainha preparar o caminho do seu Instituto no Brasil”.
Primeiros passos
Mesmo com várias tentativas iniciais, o projeto não avança de imediato, mas o desejo permanece vivo e se fortalece com o tempo. Em 19 de março de 1962, dia de São José, o Pe. Celestino escreve à Sra. Gertrud solicitando o envio das Senhoras de Schoenstatt para iniciar a fundação, assumindo com decisão essa missão e confiando na ação da Mãe de Deus. Ele se dedica às ofertas ao Capital de Graças e percebe respostas concretas, pois várias jovens começam a manifestar interesse pela vocação, o que intensifica também o contato com o Instituto na Alemanha. Esse movimento ganha novo impulso em 1971, quando a Sra. Gertrud visita o Brasil pela primeira vez, fortalecendo os vínculos e abrindo caminhos mais concretos para a fundação.
Chegada das primeiras missionárias
O processo avança de forma mais concreta a partir de 1974, quando Leonor Tarifa Gavilán conhece o Pe. Celestino e entra em contato com a espiritualidade de Schoenstatt e com a vocação das Senhoras de Schoenstatt, sendo encaminhada ao Instituto no Chile, no Santuário de Bellavista, em Santiago. No ano seguinte, em 1975, chegam ao Brasil as primeiras Senhoras de Schoenstatt, Priska Volk, da Alemanha, e Lucía Kübler, do Chile, que conhecem a realidade local, entram em contato com as interessadas e avaliam a possibilidade de fundação. Nesse contexto, Leonor responde com generosidade ao chamado e se torna a primeira vocação brasileira do Instituto, marcando um passo decisivo para a consolidação da presença no país.
Em 15 de julho de 1976, o Instituto celebra a primeira Santa Missa na casa adquirida no Jaraguá, São Paulo/SP, residência que recebe o nome de “Casa Belém no Monte do Pai” e se torna um ponto de referência para a vida nascente da comunidade. O acompanhamento do Pe. Celestino permanece constante, e seu testemunho é recordado pelo Pe. Vitor Trevisan, que afirma que ele considera o Instituto como o que mais lhe exige, declarando que aceitaria todo o sacrifício novamente para que o Instituto lançasse raízes no Brasil e cumprisse sua missão.
Raízes firmes
A formação de Leonor segue em 1977, quando ela viaja para o Chile e passa a integrar a casa de formação em Bellavista, mantendo ao longo dos anos um vínculo constante com o Brasil por meio de visitas e acompanhamentos. Ela recebe apoio das Senhoras vindas do Chile e da Alemanha e aprofunda sua vida espiritual, especialmente na vivência do 31 de Maio e da Cruz da Unidade. No dia 20 de janeiro de 1990, assina seu Contrato Perpétuo, consolidando sua entrega total à vocação, sempre em profunda união com o Santuário e com a missão confiada ao Instituto.
Expansão da missão
O apostolado no Brasil cresce de forma concreta a partir de 1982, quando Leonor assume o grupo Filhas de Maria na Paróquia Santo Antônio, em Caieiras/SP, e, por meio desse trabalho, nasce a Juventude Feminina de Schoenstatt (Jufem) na cidade. A partir desse núcleo inicial, a Família de Schoenstatt começa a se estruturar com seus diferentes ramos e comunidades, e o trabalho pastoral gera frutos concretos, pois do primeiro grupo de jovens surgem três vocações para o Instituto, às quais se somam outras ao longo do tempo, fortalecendo a presença e a missão no país.
Entrega e fecundidade
No início de 1998, Leonor enfrenta uma doença grave e oferece sua vida pelo futuro Santuário de Caieiras, gesto que expressa sua profunda união com a missão. No dia 25 de maio de 1998, poucos dias antes da abertura do ano jubilar da Missão do 31 de Maio, ela falece em Bellavista, no Chile, deixando um testemunho de fidelidade e entrega. Seus restos mortais descansam no Santuário do Jaraguá, São Paulo/SP, como sinal de gratidão por sua vida e missão, e sua história continua a dar frutos, como se vê na bênção do Santuário de Caieiras em 17 de setembro de 2017, data de seu aniversário. Assim, confirma-se ao longo do tempo que a semente lançada encontra terra fértil e produz abundantes frutos na vida da Igreja.




